"Eventide" tem por tradução literal “entardecer”. Aquele período
que vai da luz plena das três, quatro da tarde até estar realmente escuro após as
seis...
A escuridão não vem de uma vez, a luz vai caindo, caindo e quando a gente se dá
conta, já estamos com lâmpadas acesas.
Tendo isso em mente, não dava para por um título mais
descritivo e fiel no disco que Eventide.
O disco se inicia solar, dançante e vai ficando mais sombrio, misterioso ao se
aproximar do final.
Ponto para o Sadboots.
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arte: Lucas Gomes |
Formado em 2016 na cidade de Belo Horizonte por Lucas
Gomes (vocal e percussão), Lucas Brito (guitarra), Filipe Sartoreto (baixo) e
Gustavo de Angelis (bateria), a banda aposta no rock and roll clássico.
Sim. Há momentos em que uma pegada blues aparece, como esfumaçada e etílica “Solstice
Queen”.
Outras influências também dão as caras como o hard rock setentista carregado na
instrumentação e com ares experimentalistas, mas tudo à serviço da linguagem da
diversão.
Guitarras altas, distorcidas e melódicas em solos inspirados, a marcação
pulsante do baixo e bateria econômica, porém eficiente e uma voz clara, que
torna fácil o entendimento das letras, sempre otimistas do disco.
Único senão é que todas as canções do disco são em inglês. O que ainda
prejudica um pouco que se berre os refrãos nos shows..., mas nada que atrapalhe
também.
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foto: Maria Vaz (@mariafivaz) |
A abertura com “Toreador” e suas citações sonoras à opera
Carmen na abertura é animadora. Alto astral e muito dançante.
Porém, na parte ensolarada do disco a grande canção é mesmo a já citada “Solstice
Queen”.
É quase impossível ouvir a música e não a imaginar sendo tocada em um juke
joint, com o público recendendo à fumaça de cigarros e cheiro de Bourbon no ar.
A noite do disco começa a cair com “Something in the storm”,
um rock pesado, sombrio e longo, repleto de passagens experimentais, instrumental
inspirado e bons riffs.
A faixa seguinte, “Bad Juju” parece ter vindo de um disco
obscuro (e inexistente) dos Black Crowes entre o By Your Side e o Lions. Backing vocals femininos, refrão assobiável e um puta solo de guitarra.
Aliás, é preciso dizer que o guitarrista Lucas Brito brilha o disco todo. Nos solos, nas bases pulsantes.
A única pisada no freio é a quase balada “Exodus” que
remete um pouco ao post punk feito por gente do tamanho de Echo & The Bunnymen
e termina com algo semelhante à música de alto falante de antigos parques de
diversão.
Ainda tem o épico “Wake me up at eventide” (mais de sete
minutos) que termina o disco em grande estilo.
Sadboots já havia lançado um EP em 2020, Shoeshine que colocou
a faixa “Seasick” nas programações das rádios da capital mineira e um single (“Hellhound
Waltz”, de 2021), que eles mesmos consideram a transição para o que viria a ser
este disco de estreia.
Produzido por Fábio Mazzeu nos estúdios Última Gota, em Belo Horizonte, Eventide
enfim mostra uma banda com energia e vontade de alçar voos altos o suficiente para
ultrapassar os limites da capital mineira e brilhar nacionalmente.
E se seguir nesta trilha, vai ser em breve.
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