A obra solo de Renato Russo (*1960/+1996), diferente do
trabalho com a Legião, tem muito pouco, quase nenhum rock and roll.
Das sementes punks dos tempos de Brasília então, nem sinal.
E claro, isto é normal: se fosse para fazer a mesma coisa, pra que lançar álbuns
solo?
Do quase beneficente The Stonewall Celebration Concert (1994) passando pelo
disco com canções italianas, Equilíbrio Distante (1995), até os três documentos
póstumos, tudo que se ouve é o gosto pessoal e os desejos artísticos de um
baita músico sendo realizados. Sem pretensão mercadológica ou preocupação com o
gosto dos fãs de sua banda original.
Renato gravou o que quis gravar e nunca abriu mão da autonomia em estúdio para
fazer o que queria.
Stonewall, por exemplo, seria apenas um show e no meio do caminho, Renato
decidiu pela gravação do álbum como foi lançado.
Mesmo sem quase nada que lembre os trabalhos da Legião, os discos foram muito
bem aceitos pelos fãs da banda e tiveram vendagens muito significativas, o que
justificou o lançamento, após sua morte, do disco O Último Solo (1997), com as
sobras de gravação dos dois primeiros.
Junta-se a estes as coletâneas Presente (2003), que ainda
trazia alguns registros inéditos e/ou “perdidos” e Duetos (2010), que compilava participações de Renato
em canções de outros artistas.
![]() |
imagem: divulgação |
Para quem ainda não tem os discos ou é daqueles fãs completistas a Universal
Music coloca a venda um box caprichado reunindo os cinco discos: Obra & Arte.
Mas não... Não há nada inédito no campo sonoro, são apenas os discos como foram
lançados originalmente, como já havia sido feito na caixa Obra Completa, lançada pela mesma Universal em 2016 e que hoje está fora de catálogo.
Então é só uma pequena picaretagem da gravadora e daquele seu filho que adora uma
polémica (e grana)?
Nem tanto...
A embalagem que traz os discos é uma caixa de muito bom gosto que também
acomoda quatro cards e um poster com desenhos originais do próprio Renato Russo
e que estão sendo disponibilizadas ao público de forma impressa pela primeira vez.
O box tem preço sugerido de duzentos reais e pode ser adquirido diretamente do
site da Universal.
A gravadora não disponibilizou informação sobre a quantidade de unidades
produzidas, então, se você é fã ou quer presentear um, melhor correr. Vai que
acaba e eles não fazem mais como a caixa remasterizada da Legião lançada em 2010
e que hoje tem preços astronômicos tanto na versão em LP quanto CD.
Comentários
Postar um comentário
Seja o que você quiser ser, só não seja babaca.