No dia 2 de setembro a comunidade tolkieniana estava em polvorosa! Não era para menos, haviam expectativas para a data, mesmo que essa data representasse, para muitos fãs do autor J. R. R. Tolkien, um misto de tristeza e obrigação de homenagem ao professor, afinal, foi nesse dia que ele faleceu, lá em 1973.
Na última sexta-feira, então, muitos (eu inclusa) lembramos
dele com saudosismo pelos 49 anos sem ele, mas defendemos a sua importância e
consideramos, com unanimidade, que está muito presente, já que somos agraciados
por diversas publicações de seus escritos minuciosamente organizados e
compilados, desde então, graças ao seu filho Christopher Tolkien, herdeiro de
todo o espólio literário do pai. Apesar do falecimento de Christopher em 2020,
ainda tivemos muitas publicações inéditas, com outros “schollars” fazendo o
trabalho de selecionar e organizar, e teremos muitas novidades a caminho de
termos acesso, sobre sua complexa obra produzida aos pedacinhos ao longo da
vida, em português, pela competente editora HarperCollins Brasil.
Mas vamos ao que de fato interessa: o outro momento acontecido
nessa data pode parecer estranho aos desavisados, mas faz sentido para muitos
fãs da banda: o Blind Guardian lançou seu 12º disco, intitulado The God
Machine. Apesar de nenhuma referência à Tolkien neste disco, eu – assim como
muitos outros – chegaram à banda alemã por conta do autor britânico de fantasia,
embora e o contrário, também se faça fato.
Pois bem, já falamos muito disso aqui no Musique-se, das
referências de literatura fantástica e de fantasia nas letras do Blind
Guardian, algo muito característico do Power Metal. Fãs do Tolkien, e tendo até
um álbum inteiro sobre a mitologia criada pelo autor, eles fizeram a sua fama e
são conhecidos por alguns, por conta dessa referência. Lá por volta de 1984,
com o nome de Lucifer’s Heritage eles se formaram e logo, modificaram o som para
a uma pegada mais fantástica e estilo Speed Metal, se tornando Blind Guardian, em
1987.
35 anos depois, o que mais poderiam entregar em termos de inéditas? Tínhamos então, uma grande oportunidade para conferirmos com o lançamento de mais um trabalho, justo numa emblemática data e para quem acompanhou o lançamento dos singles com certa esperteza, teve uma noção do que estava por vir do álbum completo, composto de 9 faixas.
Mas não acredite se, ao ler o parágrafo acima, que se trata
somente de mais um disco de uma banda de Power Metal alemã das antigas, com o
artefato de um álbum conceitual e letras “dadas à nerdices”. Simplista demais e
até mesmo, injusto. O Blind Guardian lançou um disco que enche os ouvidos dos
fãs e os torna plenos e satisfeitos.
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Divulgação: Capa |
A segunda faixa, Damnation, bebe da mesma fonte sonora como
já dissemos, e a letra aponta a série de fantasia contemporânea, The Kingkiller
Chronicle de Patrick Rothfuss.
O segundo single é da terceira faixa do disco The God
Machine. Secrets of the American Gods (assista o vídeo, clicando aqui) tem
uma pegada mais metal progressivo, e se volta à Neil Gaiman, autor em alta inclusive
pela adaptação de sua grande obra, Sandman, laçada recentemente pela Netflix.
No caso da música, se trata do livro Deuses Americanos (2011) de Gaiman – e que
também há uma série que não vingou muito bem e foi cancelada na terceira
temporada (disponível na Prime Video).
Uma das minhas favoritas do disco é Violent Shadows onde
Hansi simplesmente mostra toda sua versatilidade e peso, e o bom caldo da banda
está nos riffs da dupla de guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen. A letra
da música está ancorada em um dos personagens da série de livros de fantasia de
Brandon Sanderson, chamada de The Stormlight Archives (2010 -).
Life Beyond the Spheres não tem nenhuma referência
específica, e trataria da criação do Universo e a evolução do tempo e do
espaço. O feeling de criação de um mundo é totalmente sentido com sonoridade da
música e o misto sinfônico com o metal é de arrepiar.
O gancho é bem dado para a faixa seguinte, Architects of
Doom, que ambienta o tema de ficção científica, referindo-se à série dessa
vertente chamada Battlestar Galactica, original de 1978. Aqueles níveis
acelerados e raivosos do Speed Metal estão contidos aqui com toda a força
possível.
Tudo bem, pois a calmaria vem com a sétima faixa, Let It Be
No More, cuja a letra é de cunho pessoal e poetisa sobre o falecimento da mãe
de Hansi. É uma bela música, tocante e com um refrão dramático e muito bonito.
O último single foi lançado junto com os anúncios da data do
novo disco, o título, a capa e a playlist. Blood of The Elves tem os dois pés fincados no
Power Metal característico do Blind Guardian, e uma letra muito familiar. O som
acabou me remetendo à Mirror, Mirror do álbum Nightwfall in Middle-Earth de
1998, o meu disco favorito da banda (e que recentemente, adquiri uma cópia para
minha coleção e estou felicíssima por isso, hehehe...).
Eis o vídeo do terceiro single de The God Machine com um visual em cores vibrantes e imagens rápidas:
Como foi revelado no lançamento, Blood of The Elves é
inspirado no primeiro romance da série The Witcher - Blood of Elves (1994), do
escritor polonês Andrzej Sapkowski e que também tem uma produção audiovisual, protagonizado pelo estonteante ator britânico, Henry Cavill.
Chegamos, logo depois, com entusiasmo, e já querendo mais, à última faixa do disco: Destiny é inspirada conto de fadas de Hans Christian Andersen, The Ice Maiden (em tradução: "A Donzela de Gelo") publicada em 1861. Fechando com chave de ouro, como uma martelada no ouvido – no bom sentido – é claro!
A crítica tem apontado The God Machine como o melhor disco desde
Imaginations From The Other Side de 1995. Isso soa bem para os músicos, já que
para a divulgação, em meados de maio deste ano, Hansi disse em entrevistas, que
eles não estavam querendo repetir totalmente o que já fizeram no começo da
década de 1990 e nem queriam seguir o caminho de sonoridade complexa que vinham
fazendo. Quiseram e conseguiram retomar o que estavam negligenciando nos últimos
álbuns, mais voltados à um metal progressivo, e o resultado é mais que
excelente.
Quanto à esse retorno às raízes, posso dizer que é muito bem-vindo, gratificante
e não soa em nada, repetitivo. Vale muito a pena conferir!
Aproveitem a deixa e ouçam, pelo Spotify (ou outra plataforma de sua preferência):
Abraços afáveis e Musique-se!
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