O primeiro dia de Rock In Rio chegou ao fim com um saldo
bem positivo.
A noite do metal, como estava sendo divulgado (e foi mesmo...) teve som pesado
em todos os palcos (que importavam) e as surpresas e decepções foram se
alternando.
A festa foi boa e grande no espaço Supernova onde bandas
como Surra, Crypta, Matanza Ritual e Ratos de Porão fizeram shows cheio de
garra e muito, muito peso.
Após 41 anos de estrada, a banda de João Gordo estreou no festival em grande
estilo.
Apesar de já ter tocado pelo mundo todo, o Ratos nunca havia tocado no Rock In
Rio e a história foi corrigida com honra. E muita porrada.
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Ratos de Porão estreando no festival |
Crypta, Surra e Matanza Ritual fizeram o que deles se espera: muita energia, muito peso e muita garra.
Todos eles mereciam ao menos estar no palco Sunset, mas desta vez, foi o que teve.
No Sunset a coisa começou bacana demais.
Black Pantera, um dos novos e ótimos nomes do rock pesado nacional fez um show
cheio de representatividade preta e muito orgulho.
Um colab com os recifenses dos Devotos, banda do baixista
Canibal, foi um dos pontos altos da tarde.
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Black Pantera e Devotos: the old and the new school |
Logo após entraram no palco os veteranos do Metal Allegiance, o supergrupo de metal formado por gente do Testament, Anthrax, Machine Head e o mala do Mike Portnoy e os camisa preta foram a loucura.
Esbanjando técnica e paixão, não deixou que os fãs ficassem insatisfeitos.
Para quem não é fã, foi exatamente o que acontece com todo supergrupo: clichê atrás de clichê com caretas, poses etc.
Bom pra quem gosta, chato pra quem já viu coisas melhores.
Pra falar do Living Colour com Steve Vai vamos recorrer à uma piadinha.
O Red Hot Chilli Peppers entra num bar e diz: tocamos funk metal.
Aí o Living Colour sentado em uma mesa no fundo do bar ouve e diz: Bitch, please! Hold my beer...
A banda é funky, é jazzy, é pesada e faz tudo isso ao mesmo tempo sem fazer nenhum esforço.
Vernon Reid e Corey Glover estão melhores a cada ano. Doug Wimbish e Willian Calhoun são a melhor cozinha do metal.
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Living Colour: RHCP faz funk metal? Hold my beer... |
Ah, o Steve Vai foi, ficou e tocou guitarra como só ele sabe.
Reid, humilde, dividiu as atenções com o colega seiscordista de forma generosa.
Showzaço.
Hora do Sepultura entrar no palco com a Orquestra Sinfônica Brasileira.
Depois de tocar com Zé Ramalho, o grupo de Andreas Kisser e Derick Green voltou
ao Rock In Rio e deu aula de como não se repetir.
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Sepultura: Andreas e Orquestra. |
Com apenas três músicas da fase Cavallera no set, a banda mostrou que não vive de passado (embora ele seja uma parte muito importante de sua história) e que não deve nada, absolutamente nada, à banda gringa nenhuma.
Ah... E Eloy Casagrande é um monstro, gigante, imenso.
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Senhoras e senhores: Eloy Casagrande |
Gojira! Gojira! Gorija! Gojira! Gojira! Gorija!
Não precisa dizer mais nada?
Só que durante a execução de “Amazonia”, de seu último disco, indígenas subiram
ao palco e dançaram com os irmãos Duplantier.
Lindo.
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Gojira no lugar do Megadeth: a melhor coisa para o festival |
A grande surpresa da noite foi o Bullet for my Valentine.
A banda subiu ao palco e botou fogo no público que cantou toda, mas todas mesmo, as letras da banda em uníssono.
Eu que não conhecia e tinha um pé atrás me rendi.
No twiter, quando falamos que tinha dó deles por entrar após o Gojira, um fã disse que não sabiamos o que estavamos falando.
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Bullet: pra nós, a maior surpresa |
Ele tinha razão... Não sabiamos.
Só não vou dizer que queimamos a língua porque sempre estamos dispostos a aprender.
Surpresa positiva total.
Hora do Iron.
Banda competente, uma das maiores do metal no planeta, mas...
Não empolgou.
Show correto, tecnicamente perfeito, só que o excesso de “progressivo” na
primeira parte do show broxou um público que foi lá para ver a banda.
A linda “Blood Brothers”, “Sign of The Cross”, as duas do disco novo deram um
andamento cadenciado demais ao inicio da apresentação.
Mesmo canções como “Revelations” e “Flight of Icarus” soaram mais lentas.
Nem mesmo o cavalo de batalha “Fear of The Dark” empolgou e o coro foi tímido.
Já ta na hora de limar essa do set list, música boa pra por no lugar não falta.
Dessa primeira parte, o grande destaque foi “The Writing on the Wall” que soou
imponente, maravilhosa... E só.
Ao fim, após tocar “The Number...”, “The Trooper”, “Halloweed be thy name” e a fantástica “The Clansman”, Bruce Dickinson pediu que o público se cuidasse para que ele pudesse ver todos eles no próximo ano.
É sempre bom ver o Iron Maiden em ação, mas dessa vez ficou um pouco abaixo.A noite acabou com Dream Theater tocando pra um público bem reduzido.
A vida é curta demais para ouvir, ver e resenhar DT.
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