Muda, primeiro álbum da Labatú, mostra uma banda muito diferente de sua estreia

Desde sua estreia no ano de 2024 com o EP Past Months, a Labatú (@labatuoficial ) deu mostras de uma certa inquietação artística.
Formada em São Paulo por Leon Guimarães (vz,gt), Davi Ribeiro (bx), Luis Pio (bt) e a cantora e tecladista Naomi Kikuchi, faziam letras em inglês e o EP apresentava um pop guiado por camadas de teclados e timbres elegantes de guitarra dando um ar 80tista ao trabalho.


Longe de ter apenas esse caminho, o trabalho tinha algo a mais: o flerte com dream pop e elementos que ressoavam - ainda que de forma tímida - ao folk como na linda "Mama's Boy" e um balanço groovado, mais notadamente em "My Old Friend".
Isso somado aos arranjos vocais que dividiam os versos entre Naomi e Leon.E esses elementos foram sendo depurados nos ensaios e em novas composições, culminando com o lançamento em 2025 do single "Granada", o primeiro lançamento em português.
Daí em diante, a língua seria a oficial para as letras e os arranjos foram ganhando mais organicidade e - por que não? - brasilidade.
O processo parecia ter chegado à fórmula ideal com o lançamento de "Salvador", single de levada relaxante inspirado (e como não ser?) em uma estadia de Leon na capital baiana.
Mas... Lembra da tal inquietação? Ela reaparece com força em Muda (2026, Trópico Música) no álbum da banda.

Aqui há, além dos elementos já citados, uma banda amadurecida e consciente misturando alt rock, folk e pop convivendo harmoniosamente nos quase 30 minutos de duração.
Caso da instrumental "Entre Tempos", levada por riffs e solos de guitarra muito bonitos.
Outro ótimo momento fica por conta da balada "Azul", em que Naomi domina o cenário mesmo com a cozinha de baixo e bateria brilhando.
Muda, enfim, é um trabalho para ser ouvido e apreciado com tranquilidade e atenção aos detalhes. O que vai te fazer se sentir relaxado quase igual ao Leon lá em Salvador...
Experimente.

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