Em 2018, entre o lançamento de Nós Somos Tudo Que Temos e o início do processo de composição do próximo álbum Paga Pouco Mas no Fim Vale A Pena Demais, a Dinamite Club (@dinamiteclub ) começava a viver um período um tanto turbulento.
Para além da pandemia que assolou o país e o mundo, a banda perdeu um de seus fundadores, o músico Leon, falecido em 2018 obrigando à uma reestruturação.
Então Bruno Peras (bx,vz), Márcio Rodrigues (gt, vz) e Jaime Xavier (bt) lançaram dois singles que veladamente já davam pistas das dificuldades em lidar com os acontecimentos.
Um indício é o título "Se Não Melhorar, Estraga" de 2022.
Agora, após um hiato de 9 anos (!) o trio apresenta um novo álbum completo: Cortisol (2026, Crocante Records), trabalho que escaneia, mapeia, e escancara o período em dez músicas que tem como temas o luto, o isolamento, a ansiedade pelo momento e a alteração na formação, burnout e internações.
Sendo a Dinamite uma banda tipicamente de pop punk, estilo em geral reconhecido por tratar de temas com mais otimismo, a mudança pode ser tratada aqui como profunda. Até mesmo drástica.
A música que embala também sofreu influência, chegando ao registro com mais densidade e peso refletidos até nos títulos como na abertura "Letra de Médico", uma das três canções a ganhar o selo "explícito" na plataforma verde. As outras duas são "Meia Idade" e "Hoje, Só Amanhã".
O disco, de tão denso, teve de ser lançado sem singles, sem adiantamentos, como num jorro confessional que necessitasse de expulsão para que então tivesse início o processo de cura, que aliás, batiza outra das canções: "Tempo Cura".
A indicação é que se ouça o disco completo, de uma vez, como quem arranca um curativo e perceber que apesar (ou mesmo até por) tudo isso, é um registro de uma banda amadurecendo.
A bela capa é trabalho de Jaime Xavier.

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