A reinvenção como ponto de partida: Ritual, o álbum de estreia de Eva

Há uma canção neste Ritual (2026, independente + Bóia Fria Produções) em que é possível identificar o ponto de virada da então bailarina jundiaiense Eva Juliana. Alí, diante de uma pandemia e com a situação agravada por uma fibromialgia, a artista se via diante do desafio de dar continuidade à carreira de bailarina ou buscar novos caminhos. Surge então a (também) cantora e compositora Eva (@evajuliana____ ). A canção em questão é a delicada "Casulo Borboleta" de onde brotam versos confessionais como: "Pergunto pros astros quais batalhas devo entrar/mas a maior que travo é comigo" ; "...me transformar no que sou e não no que poderia ser." - e por fim - "(...) confiar que meu destino mora mora depois do meu maior medo."

Demonstração maior de coragem não deve ter. O disco reúne 9 músicas compostas nesse período de reclusão que vão das baladas como a já citada e passa por samba, ijexá, carimbó, faz reverência ao candombe e ao reggaeton, não por acaso estilos que remetem à dança, até porque, uma vez bailarina, bailarina para sempre como comprova o material gráfico repleto de movimento produzido por Renato Stockler com figurinos de Ellias Kaleb, trabalho que merecia uma edição física, se possível em vinil, para ser devidamente apreciado.
Mesmo com a produção dividida entre Amanda Magalhães, Dudu Rezende e Marcos Maurício, o disco mostra uma unidade agradável que culmina na potente "Tigresa" que celebra a própria força e, enfim, o renascimento e auto reconstrução citadas lá em cima. Tudo isso faz de Ritual um álbum de estreia impressionante que merece não só ser ouvido e apreciado com atenção, mas com muito respeito.

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