Teatros Noh e Kabuki inspiram estrutura de "Higeki 悲劇", novo e conceitual álbum da Unholy Harakiri

Brutal.
Unholy Harakiri (@unholyharakiri ), formada por Yukio Hara, Rafael Danti e Maikon Campioni é um dos principais nomes da nova geração da música extrema nacional.
Lançando material desde 2022 quando disponibilizaram o álbum Ketsuro, a banda mostra gradual e constante amadurecimento dentro do espectro do metal extremo, flutuando entre o deathcore, metalcore e o nu metal.
Em seu novo disco, "Higeki 悲劇" (2026, Coffin Joe Records), se enveredam pelo mundo dos álbuns conceituais escrevendo sobre trauma, sofrimento, devastação e morte, inspirado nos teatros Noh e Kabuki, pilares da cultura japonesa que tem em sua estrutura básica os "módulos" introdução, ruptura e clímax.

Agressivo, o disco navega dentro da temática de imaginação da catástrofe, tornando a audição uma experiência quase cinematográfica, a audição de uma trilha sonora de um filme denso, tenso, violento e sem legendas... O death cantado em bom português funciona muito bem. É tão assustador quanto em inglês (ou sueco como no caso do Opeth), vide a explosiva "Torauma".


Há participações pontuais como o pessoal da Strigah em "Desesperança", outro momento de destaque do álbum, e em "Shitsubou", que traz a voz do cantor Measyou e começa com uma percussão quase industrial sobre um arranjo oriental e descamba para uma parte melódica surpreendente.
Um disco pra bater cabeça, se impressionar e ouvir tudo de novo, que é o que se tem vontade de fazer quando soam os últimos acordes de "Kuro", pequena obra prima que encerra o disco.
Pode ir sem medo, vale o play demais. 

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