Como já dávamos a letra no post de apresentação do segundo single do oitavo álbum de estúdio do Rammstein (ler aqui), alguma explosão de arte estava planejada pelo sexteto alemão.
Desse modo, "Zeit", a música tem um quê de
reflexão e de profundidade, não optando pelo chocante ou repulsivo. A palavra
“zeit” significa “tempo” em alemão, e o vídeo para divulgação do carro-chefe do
novo trabalho, é muito bonito. Representando aquilo que mais assusta e
entristece a humanidade, desde os primórdios - a nossa inevitável mortalidade -
entregaram o que os críticos consideraram um dos melhores sons da banda. E podem
estar bem próximos de estarem certos, sem exageros.
Enquanto o primeiro single é uma pela peça épica, sóbria e
lenta, "Zick Zack" é o Rammstein com guitarras em “drop C” e teclados, a típica
onda da sua praia, o Metal Industrial.
Recado dado, o que mais Zeit ofereceria? Caberia esperar até
a data de hoje, o 29 de abril, a data reservada para o lançamento, para conferirmos. E o conteúdo é
realmente, requintado, como se esperava que fosse.
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A capa, segundo a Rodie Metal é do músico canadense e fotógrafo nas horas vagas, Bryan Adams, que fotografou os membros da banda nos degraus do Trudelturm em Berlin Adlershof, um imponente monumento à pesquisa aérea no Parque Aerodinâmico da cidade. |
A abertura com "Armee der Tristen" é a tacada certa,
inclusive, excelente para abertura de show da turnê. Pelo título, “exército
dos tristes” tem o humor adequado ao que propõe.
Seguida da já conhecida "Zeit", que traz um tom
épico que os críticos mencionaram, faz um perfeito gancho com a abertura. A gente
se entristece com o passar do tempo. Mas por incrível que pareça, a faixa que dá nome ao álbum é apenas uma revelação do conceito e não a melhor música, mas certamente, uma delas.
A sensação de que o disco poderia ter um nível acima que o
antecessor Rammstein (2018) é confirmada com "Schwarz" - mais uma faixa triste, porém bela. Ela
contém uma levada calma, cinza (apesar da tradução de “schwartz” ser “preto”) e um tanto “caidona”.
Até aqui, o disco é bem melancólico e reflexivo, apesar de não se
entender bulhufas das letras em alemão.
"Giftig" (“venenoso”) pode desagradar os que não gostam muito
de interferência eletrônica no metal. Ainda que o excesso dela, muitas vezes,
atrapalhe, não é o caso e nem poderia ser quando se ouve algo do Rammstein. Funciona
muito bem para pegarmos o embalo de "Zick Zack", logo na sequência e já comentada anteriormente.
"OK" é estranha de início, com um coral lembrando os usados em missas,
mas logo entra em ação a pegada conhecida da banda. Ela pode afastar quem está ouvindo o
disco por curiosidade, já que há uma aceleração eletrônica dando o ritmo e o
humor da canção. Mas fique até o final, quando surge o metal em um groove de guitarras que particularmente parece que já ouvimos em algum lugar, mas é ótima. Conselho de reforço: Se você abandonar o disco nessa música, antes dela acabar, pode estar perdendo o melhor do álbum, nas faixas seguintes.
Algo chamava a atenção para "Meine Tränen" (“minhas lágrimas”).
Ao ouvir, pude conferir que era uma bela música, também melancólica. Leve e bem
executada à nível de Zeit. Me lembrou as canções de Rosenrot, álbum de 2005.
Por sinal, esse é o ponto crucial para começar a compreender Zeit, que tem muito do quinto álbum do sexteto, em termos de sonoridade, obviamente em um nível elevado e maduro.
A oitava faixa, "Angst", apesar do nome (“angústia”, ou também “medo”, “temor”) não é tristonha nem incomoda. Lançada com videoclipe para a divulgação do álbum, hoje, ao meio-dia (horário de Brasília) foi uma escolha acertada. É sem dúvida, uma das melhores e mais pesadas faixa do disco, lembrando um de seus maiores sucessos: "Keine Lust".
O vídeo, é bem perturbador, inclusive:
Com percussionistas mascarados (lembrando sutilmente os americanos do Slipknot), cheerleaders dançando ao ritmo da música e com sorrisos macabros, os músicos em cercadinhos que parecem ligados à uma tela (de tv ou computador) compram armas semiautomáticas. Uau!
Em preto e branco, há também mais uma coisa que incomoda no vídeo: Till amarrado em uma maca com uma camisa de força.
O que eles querem dizer? Parecem mostrar as nossas egocêntricas nações que se fecham em si, atacam os semelhantes como se fossem inimigos e condena tudo que vê, noticiado pela TV ou a telinha do celular sobre o mundo lá fora.
Se for isso, merecerá um post a parte. Por hora, é um vídeo instigante e filosófico, com uma dose cavalar de arte e simbolismo, já característico do Rammstein e que demoramos a absorver suas nuances.
Continuando a falar sobre as faixas que se seguem, de "Zeit": É preciso ler a letra e uma tradução ainda que superficial de "Dicke Titten". Ela não deixa a dever em peso e execução, apesar do início quase “circense”. Nesse sentido, a mistura de festa com metal funciona com a banda, apesar de não parecer possível. Mas "Dickie Titten" significa em tradução literal “peitos grandes”. Fica o questionamento de qual o contexto para estar no disco... *risos*
A ressalva fica com "Lügen" (“deitado”), que estava indo bem,
até a inclusão vocal auto-tune muito usado pelos artistas do pop e do hip&hop. Ficou legal, mas não
me agradou. Eu teria optado pelo vocal limpo do Till Lindemann.
O álbum fecha com "Adieu" (“adeus” em francês), em um clima de
despedida clichê, possivelmente para fechar também os shows da turnê, com
bastante pirotecnia. Mesclando uma levada calma com guitarras pesadas no refrão,
não há nada que não identifique o álbum todo de forma categórica, numa só frase:
Zeit ist wertvoll (em tradução livre: o tempo é valioso, precioso).
E é! Os fãs de Rammstein ficarão bem satisfeitos e quem os ouve vez ou outra, pode se surpreender positivamente. Recomendado!
Abraços afáveis e Musique-se!
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