Sem Surpresa, Ferro e Fogo, novo disco do Siso é muito bom

Há algum tempo, e vamos deixar “algum” para não passar recibo de idade, o lançamento de um disco novo de um artista/banda que você curtia era uma espécie de evento.
Ok, era uma época em que as notícias sobre a produção, gravação e lançamento eram rareadas e, por vezes, eram encaradas como “boatos”.
Ainda é possível rir da nota de um jornal paulista que dizia que os Titãs foram: “pegos indo mixar seu disco nos EUA” como se isso fosse crime, uma falha.
Hoje em dia os artistas atualizam seu público via perfis de redes sociais quase que em tempo real sobre como anda a produção de seus discos, singles, shows, trocas de integrantes, feats etc, etc, etc...
Logo então, sabíamos que, por conta dos singles lançados (“O Tombo”, “Quebra Mundo” e “Sabiá Sabiá”) um novo álbum cheio do cantor e compositor mineiro Siso estava para chegar sucedendo o bonito Vestígios, disco de 2022 com releituras de canções independentes que haviam ficado meio que perdidas entre a queda do formato CD e a chegada dos streamings na forma de se lançar e consumir músicas.
E para surpresa de quase ninguém, o disco chegou.

E também para a surpresa, desta vez, de ninguém mesmo, Ferro E Fogo (2026, independente) é tão bom quanto ou, melhor até que o lançamento anterior, já que aqui, o trabalho é totalmente inédito.
Recheado de reflexões sobre sua própria ancestralidade (“O Tombo” por exemplo, versa sobre uma história familiar envolvendo seu avô como pano de fundo para falar de resiliência), este é o quarto disco da carreira de Siso e – também para a surpresa de ninguém – mostra um artista muito mais maduro e seguro a ponto de ter parcerias em várias das nove canções acomodadas em seus quase trinta minutos. Vinte e nove minutos e cinquenta e nove segundos, para ser beeeeem exato.
Os arranjos valorizam a voz bonita de Siso focando em pianos, órgãos e com elegantes intervenções de ritmos eletrônicos.
E se parece simples, ledo engano... É sofisticado.
Basta uma ouvida em “A Palavra Furacão”, que abre os trabalhos, para entender a proposta: “...quando o grande hotel da mente se transforma em torre de babel...” diz a letra.
Outro bom destaque é a dançantemente latina, “Um Corpo Que Cai”, um convite ao baile. Nem que seja sozinho no centro da sala.


O disco traz participações à granel: Alejandra Luciani em “Língua-Fera”; Tiê em “Sabiá Sabiá”; Virgo Virgo em “Atraque”.
Já no que tange às parcerias, temos Luiza Brina (“Quebra Mundo”), Felipe Neiva (“Um Corpo Que Cai”, Brina Costa e Paulo Mutti (“Língua-Fera”) e Virgo Virgo (“Sabiá Sabiá”).
Todo executado pelo próprio Siso (voz, vocais, teclados, programações), bem como os desenhos da capa e também das capas dos singles.
A produção é do incansável João Abtibol.
E mesmo ainda estando em março, para surpresa de ninguém, Ferro e Fogo desponta como um dos melhores discos do ano.


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